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ÁGUA, IRRIGAÇÃO E SALINIZAÇÃO

Em todo o mundo, a irrigação das terras de cultivo respondem por 70% do consumo total de água. A cada ano, cerca de 3 trilhões de metros cúbicos de água são utilizados na irrigação, mas apenas 1,3 trilhão metros cúbicos realmente atingem as plantações; os 57% restantes são perdidos no estoque e transporte.

Na Índia, China e no Paquistão, as terras irrigadas chegam a 30 e 65% de todas as terras cultivadas e fornecem entre 55 e 80% do suprimento de alimento.

Tanto os países industrializados como os em desenvolvimento estão passando por degradações do solo em virtude da irrigação excessiva ou imprópria. O uso excessivo da irrigação desperdiça grandes quantidades de água, elimina os nutrientes do solo e pode fazer com que a terra fique alagada ou demasiadamente salinizada ou alcalinizada devido a altas temperaturas e a excessiva evaporação. A salinização e alcalinização tem destruído milhões de hectares de terras cultiváveis, e podem estar fazendo com que mais terras se tornem improdutivas à medida que são irrigadas.

A salinização ocorre quando a água evapora de solos irrigados encharcados, deixando depósitos de sal oriundos da água e de fertilizantes. 

A salinidade, atualmente, reduz a produtividade de, no mínimo, 20 milhões de hectares, ou mais de 7% das terras mundiais de cultivo. No mínimo, 1 milhão de hectares se torna salinizado a cada ano. 


Solos altamente salinizados no Colorado - EUA
A salinização é um problema persistente no norte da África, Oriente Médio, Ásia Central, Índia, Paquistão, Austrália, Argentina e México. Nos Estados Unidos, a salinização tem reduzido  a produtividade de um quarto das terras irrigadas. Na Califórnia, a salinidade reduziu as colheiras em aproximadamente 25%, em San Joaquim Valley, uma região altamente produtiva.

O alagamento ocorre quando solos com pouca capacidade de retenção recebem mais água do que podem absorver; tal fato prejudica a estrutura do solo e promove reações químicas no solo que podem retardar o crescimento das plantas. Na Índia e no Paquistão, cerca de 22 milhões de hectares de terras de cultivo apresentaram perdas de fertilidade do solo por terem sido alagados.

O uso intensivo da irrigação está esgotando o suprimento de água subterrânea e de superfície, e a qualidade da irrigação frequentemente decai conforme as fontes de água se tornam poluídas pela atividade agrícola, ou, em alguns casos, pelos dejetos das cidades e das indústrias. 

Em algumas áreas, fertilizantes e pesticidas juntam-se aos demais poluentes químicos. À medida que a demanda pela água aumenta, o esgotamento das fontes de água junta-se a erosão do solo e aos custos com a energia, levando ao limite o crescimento da produção de alimentos. A redução dos níveis das águas e a crescente competição pela água sugere que futuros aumentos na irrigação serão limitados.

Aqui no Brasil não é difícil ver altos índices de salinização principalmente no nordeste, onde as temperaturas são mais elevadas

Segundo a wikipedia.org,  a definição de salinização é a concentração progressiva de sais, provocada pela evapotranspiração intensa, principalmente em locais de climas tropicais áridos ou semi-áridos, onde normalmente existe drenagem ineficiente.

Os solos apresentam sais em níveis diferenciados. Quando este nível se eleva, chegando a uma concentração muito alta, pode prejudicar o desenvolvimento de algumas plantas mais sensíveis, ou mesmo impedir o desenvolvimento de praticamente todas as espécies.


O Nordeste brasileiro tem limitações significativas em termos de área com potencial para irrigação, devido a geologia e o clima da região. Na literatura atual, fala-se algo em torno de 2% de sua superfície com aptidão para irrigação, o que corresponde a uma área um pouco maior do que o Estado de Sergipe. Esse percentual é muito restrito se considerarmos que o Nordeste, como um todo, tem aproximadamente 1.640.000 km².

Mapeamentos das áreas irrigáveis foram efetuados por diversos órgãos governamentais, estando em curso, atualmente, grandes projetos de irrigação, pública e privada, a exemplo do que vem ocorrendo no Vale de São Francisco e nos Perímetros Irrigados do DNOCS.

E tudo isso já está comprometendo a vida do rio São Francisco (tema de outra postagem),
porque várias áreas irrigadas ao longo dor rio São Francisco já se encontram salinizadas.

SALINIZAÇÃO DE ÁGUA DOCE - PORTO DE EIKE BATISTA

Porto de Eike causou salinização de água doce, confirmam autoridades

As autoridades ambientais do Estado do Rio de Janeiro confirmaram nesta quarta-feira (16/01/13) que as obras de construção do porto do Açu, da empresa LLX, do empresário Eike Batista, causaram a salinização da água doce usado por agricultores de São João da Barra (RJ).

Térmicas de Eike Batista devem começar a gerar energia neste mês
Segundo a presidente do Inea (Instituto Estadual do Ambiente), Marilene Ramos, o problema ocorreu após o transbordamento da água salgada do sistema de drenagem da dragagem do porto. A água, que deveria voltar para o mar, atingiu reservatórios de água doce.

O canal mais atingido foi o Quintingute. Principal fonte de abastecimento dos agricultores locais, ele foi caracterizado como de água doce pelo estudo de impacto ambiental, mas atualmente tem 2,1 de salinidade --o adequado para irrigação é de, no máximo, 0,14.


Porto de Eike salgou região no Rio











Agricultor mostra abacaxis danificados de sua plantação; eles acusam a obra de porto de Eike Batista de causar o processo de sanilização. Ramos diz que o transbordamento já foi corrigido com um novo sistema de drenagem mas agora restam as análises das águas subterrâneas. O objetivo é identificar se elas foram contaminadas pela água salgada do processo de dragagem do porto.

O secretário estadual do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que serão divulgadas na próxima semana as ações que a LLX deverá executar para correção dos danos. Minc garantiu, porém, que o problema não vai interromper as obras do porto.

Segundo Marilene, a empresa deverá dobrar, para 16, a quantidade de poços de monitoramento do local para identificar a extensão da possível contaminação das águas subterrâneas. Ela disse ainda que "certamente" haverá alguma multa, só não sabe de quanto.

OUTRO LADO

A LLX informou, por meio de nota, que monitora os níveis de salinidade em mais de 40 pontos da área de influência do porto do Açu --de acordo com as exigências do licenciamento-- e que o monitoramento dos canais utilizados para irrigação não apresentaram indicação de alteração da atividade agrícola.

Segundo a empresa, o monitoramento é feito por meio de convênios com universidades como a UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro).

Na nota, a LLX diz que firmou parceria com universidades e especialistas em meio ambiente do Rio de Janeiro, de São Paulo e dos Estados Unidos para ampliar o monitoramento na área de influência do empreendimento e apresentou o plano de ampliação da malha amostral desse monitoramento para análise do órgão ambiental responsável.


"A LLX reafirma seu compromisso com a adoção das melhores práticas na construção de seus empreendimentos, com foco no desenvolvimento sustentável, e mantém o diálogo com os órgãos competentes para implementar quaisquer medidas preventivas que se façam necessárias", informou a empresa, na nota.


A DENÚNCIA
A denúncia de salinização do local foi feita por pesquisadores da Uenf (Universidade do Norte Fluminense). No estudo divulgado, eles afirmara que, se nada for feito, um processo de desertificação da região poderá ser iniciado.

Essa é a primeira consequência ambiental direta detectada após o início das obras no empreendimento. Os Ministérios Públicos Federal e Estadual instauraram inquérito para apurar o caso.

A dragagem é feita para aumentar a profundidade do mar e do canal aberto pela empresa, a fim de permitir o acesso de grandes navios. A licença ambiental emitida permite a retirada de 65,2 bilhões de litros de areia do mar --31 bilhões já foram depositados em solo.

Os primeiros sinais do problema foram identificados no fim de outubro de 2012, quando o agricultor João Roberto de Almeida, 50, o Pinduca, viu parte de sua plantação de abacaxi nascer queimada. "Sempre usei essa água e nunca tive problemas. Não sou contra o desenvolvimento, mas o que está acontecendo é desrespeito", disse à Folha em dezembro.


Na época, o diretor de sustentabilidade da LLX, Paulo Monteiro, afirmou que a salinização das águas da região próxima ao porto antecederia as obras no local. Mas afirmou estar aberto a receber informações sobre eventuais problemas causados pela intervenção.

Ele chegou a dizer que a construção do porto tinha um sistema de drenagem que impedia o vazamento de água do mar para o exterior do empreendimento. O contrário foi detectado pelas autoridades ambientais do Estado.

"A água com areia retorna ao mar por canais de drenagem. Não vai para o lado do [canal do] Quitingute. Tudo foi calculado para jogar a água para o canal interligado com o mar", afirmou Monteiro à Folha, na época. 

Por Esdras



Ministério Público Federal vai apurar impactos da salinização e exige que Inea trabalhe

Uma notícia boa para o futuro do meio ambiente, da população e dos agricultores do 5° distrito de São João da Barra e da Baixada, a divulgação dos preocupantes resultados da pesquisa realizada por uma equipe do laboratório de Ciências Ambientais da Uenf, integrada pelo Dr. Carlos Rezende e pela Dra. Marina Suzuki e mestrandos, levou o Ministério Público Federal, representado pelo procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, a instaurar Inquérito para apurar o tamanho do impacto ambiental causado pelas obras de construção do superporto do Açu e também insta o Inea local, que já está ficando famoso pela sua estranha indolência e arraigada incompetência, a informar quais medidas tomadas para combater o impacto e também a realizar uma real e eficaz fiscalização no local das obras, além de solicitar o encaminhamento para o MPF das licenças ambientais concedidas para a obra.

Como o procurador Eduardo Oliveira não brinca em serviço, recomenda-se que os responsáveis pela salinização e os responsáveis pela pífia fiscalização, tomem providências imediatas para dirimir impactos futuros às suas próprias trajetórias…


OSX, de Eike Batista, é multada em R$ 1,3 mi por salinização no Porto de Açu




O secretário do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc, classificou de "eticamente deplorável" o comportamento da OSX, do grupo de Eike Batista, em relação ao aumento de salinidade no Canal Quitingute, que passa pelo projeto do Porto de Açu e abastece a região de São João da Barra (RJ).

Minc informou que a empresa foi multada em R$ 1,3 milhão pelo aumento da salinidade, além de outras punições. A partir de agora, o monitoramento da obra será intensificado pela secretaria e pelo Inea (Instituto Estadual do Ambiente), ressaltou a presidente do órgão, Marilene Ramos.

Segundo o secretário, a OSX tinha conhecimento do aumento de salinidade no canal e tentou, sem o conhecimento da secretaria ou do Inea, fazer obras para esconder o problema.

"Considero isso um comportamento de ética empresarial inaceitável", disse Minc nesta sexta-feira (31).

O aumento da presença de sal no canal foi alvo de um inquérito aberto no dia 7 de dezembro pelo Ministério Público Federal de Campos. No dia 18, matéria da Folha publicouestudo da Uenf (Universidade do Norte Fluminense) comprovando a salinidade na água usada por agricultores e pescadores da região.

No dia 22 de dezembro, segundo Minc, a OSX fez sem avisar a obra do canal secundário para tentar melhorar a salinidade da água.

O volume de sal na água da região, que era de 0,5 grama por quilo de água, subiu para 2,2 gr/kg após as dragagens feitas pela OSX no mar para a construção do seu estaleiro.

OBRAS

De acordo com o diretor de sustentabilidade do Grupo EBX, Paulo Monteiro, o aumento de sal na água do canal só ocorreu porque no ano passado, tanto a prefeitura de São João da Barra como a de Campos fizeram obras que estrangularam o Canal Quitingute. Além disso, argumenta, em dezembro não houve chuva na região.

Ele admitiu que não avisou ao Inea formalmente que iria fazer obras para resolver o problema do extravazamento do sal para o canal, "mas avisamos por telefone". Ele sustentou que se não fosse o menor fluxo de água no rio, o índice de salinidade não teria subido tanto.

"Vamos ser multados por agir rápido para tentar reduzir a salinidade do canal", afirmou o executivo.

Ele explicou que a salinidade do canal só foi medida pela empresa no dia 19 de dezembro para ser incluída no relatório que seria entregue ao Inea. A OSX já havia investigado a salinidade em outubro do ano passado, quando a primeira denúncia foi feita por um plantador de abacaxi, ,mas segundo estudos da Coppe/UFRJ nada foi comprovado.

"A Coppe comprovou que nenhum agricultor da região usa o canal nas suas lavouras e ninguém usa a água para beber também", explicou Monteiro. Ele diz que a produção de abacaxi da região subiu 35% em 2012, segundo dados da prefeitura de São João da Barra.

Além disso, argumentou, historicamente a água de São João da Barra é saloba e o índice de doenças renais e cardiovasculares já foi bem maior.

Monteiro informou que a tendência é recorrer da multa. Sobre as acusações de Minc, que acusou a OSX de falta de ética por não informar sobre o problema, ele foi incisivo:"Não concordo, contesto e não admito", criticou.

RÉU

O Ministério Público Federal de Campos pediu a suspensão da obra do Porto do Açu e colocou o Inea como réu da ação, que ainda não foi concedida pela Justiça, já que foi o órgão concedeu LI (Licença de Instalação) para a OSX.

"Na licença estava prevista a construção de canais para retornar com a água salgada para o mar. Eles foram construídos pela OSX, mas não deram vazão e por isso o sal escorreu para o canal", explicou Minc.

A empresa então decidiu construir mais canais para retornar a água para o mar (na dragagem, 40% é areia e 60% água), mas não avisou o Inea.

RELATÓRIOS

Além da multa, o empreendimento de Eike terá agora um monitoramento intensivo. Os relatórios semestrais terão que ser bimensais e um estudo está sendo feito nos poços artesianos da região para saber se atingiu o abastecimento das casas próximas ao empreendimento.

A empresa não poderá mais usar a área que contaminou o canal para estocar o material retirado do mar e nem outra ao lado, que estava prevista, e terá que perfurar 30 e não mais 16 poços de monitoramento para medir a salinidade.

A OSX terá que investir cerca de R$ 1 milhão na construção de três canais para desobstruir o Canal Quitingute e retornar à salinidade de 0,5 gr/kg. Atualmente, segundo técnicos do Inea, a salidade está em 0,95 gr/kg.

O empresário terá também que ficar responsável pelo Parque Estadual do Açu e sua manutenção anual, estimada por Minc em R$ 350 mil. A construção do parque terá o custo de R$ 2 milhões, segundo o secretário.

"A OSX também tem 60 dias para demonstrar que conseguiu ressarcir os agricultores e empreendimentos da área que tiveram problemas com a sanilidade", explicou Minc.

O Inea já está averiguando os poços artesianos da área para avaliar se também foram prejudicados, explicou o secretário. Até o momento, no entanto, não foi constatado aumento de sal na água consumida, disse um técnico do órgão. 

FOLHA DE SÃO PAULO
JORNAL DO COMÉRCIO DO RIO

SECAS E TRANSPOSIÇÕES

O AMBIENTE RURAL E AS SECAS

Certamente o homem que vive no campo está muito mais sujeito aos caprichos da natureza que o habitante das cidades. Sendo as populações do campo mais rarefeitas que as populações urbanas, fica mais difícil e oneroso construir redes de abastecimento de água, devido às distâncias entre as moradias. O mesmo ocorre em relação à remoção dos esgotos e águas servidas em geral. Ambos os benefícios têm de ser providenciados individualmente, cada moradia deve ter o seu próprio poço e sistema de esgoto. Frequentemente vemos um sítio, distante de qualquer cidade, com luz elétrica, mas sem água tratada: é que a condução de corrente elétrica por fios metálicos é muito mais fácil e barata que a distribuição de água por tubos.

Um gigantesco programa de irrigação transformou terras desérticas da Ásia Central em 68 mil km² de terras férteis. Mas a retirada dessa água de rios próximos vem causando o desaparecimento da fauna, da pesca e da flora do lago de Aral, além de severas alterações no clima local.

Mas, se por um lado as necessidades de água para uso doméstico no meio rural são bem menores que nomeio urbano, por outro a lavoura e, indiretamente, a pecuária exigem disponibilidades muito maiores. Quando as chuvas não ocorrem com regularidade, é preciso instalar sistemas de irrigação para as plantações e pastagens, das quais depende o gado. A água para irrigação não é submetida a um processo de tratamento e desinfecção e, muitas vezes, corre por canais abertos (quando não há necessidade de elevação de nível por bombeamento), o que a torna mais barata. Porém, as quantidades necessárias são muito maiores - por área abastecida - do que no saneamento das cidades. E as áreas de plantio são, geralmente, gigantescas. Por causa das quantidades necessárias, há riscos ambientais graves, relacionados com o sistemas de irrigação.

Os riscos da irrigação

No Cazaquistão, em plena Ásia Central, e na Califórnia, na Costa Oeste dos Estados Unidos, dois exemplos podem ser citados para caracterizar o risco que se corre em não considerar o papel relevante que desempenham as águas do ponto de vista puramente ambiental.

O primeiro risco é representado pelo imenso lago de Aral, que já foi considerado o maior lago do mundo depois do mar Cáspio e, no entanto, está morrendo. Não só pelo recuo de suas águas (dos 80 mil km² que possuía já perdeu 25 mil), como pelo aumento de sua salinidade, que já atinge 26g por litro, três vezes maior que antes. Antes do quê? Antes que se iniciasse um gigantesco programa de irrigação das terras da Ásia Central, que transformou um imenso deserto nos maiores campos de algodão, cereais e vinhas do mundo: uma área de 68 mil km² de terras férteis! Mas a irrigação foi feita com a construção de canais que desviaram os rios Amudaria e Sirdaria, que contribuíam com mais de 50 milhões de m³ de água por ano para o lago. A retirada dessa água vem causando não só o desaparecimento da pesca como da flora e fauna típicas do lago e até mesmo de terras vizinhas - e ainda severas alterações no clima local. A gazela do deserto e muitas outras aves também desapareceram. E não é só: a irrigação intensiva provoca o fenômeno da laterização, isto é, subida de sais para a superfície do solo, por evaporação excessiva, que aumenta a salinidade e reduz a fertilidade. Fenômeno, aliás, muito comum nas terras do nordeste brasileiro.


O caso do Mono Lake

O Mono Lake, situado no interior da Califórnia, atrás das montanhas da Sierra Nevada, aproximadamente na mesma latitude de San Francisco, é um lago bem mais modesto, com apenas 170 km², mas que há 50 anos já teve 220 km². É que, dos seus tributários principais, quatro foram desviados desde 1941, para abastecimento e irrigação de áreas distantes, como San Francisco e Los Angeles. 


Esse lago já era salgado, em consequência dos altos índices de evaporação naquela região árida, com salinidade duas vezes e meia maior que o próprio Oceano Pacífico. Mesmo assim, possui uma flora e fauna típicas, perfeitamente equilibrada, que permite a alimentação de um imenso número de aves migratórias e residentes durante o ano todo. O aumento de salinidade já ocorrido estava em vias de produzir drásticas reduções na produção de algas, o que levaria a eliminação progressiva de insetos, crustáceos e peixes, co consequente perda das aves. Os estudos realizados levaram o Departamento de Águas e Energia do Estado a reconhecer, em 1988, que o lago constitui um "recurso ambiental único, de valor significativo". 


Em 1991 e nos anos subsequentes, uma corte da Califórnia estabeleceu que o lago deve ter a sua profundidade estabilizada, cassou as licenças até então concedidas para uso das águas da bacia e determinou o restabelecimento do regime de escoamento antes existente nos quatro rios que haviam sido desviados.








Possibilidades no Brasil

No Brasil, como se sabe, existem enormes áreas em que, embora não ocorra um regime desértico verdadeiro, as chuvas mal distribuídas sugerem a utilização de sistemas de irrigação. 

No nordeste são construídos açudes com essa finalidade, que retêm as águas dos períodos chuvosos para distribuição na seca. Muitos desses açudes se transformaram em lagos salgados, por falta de manejo adequado. 


A travessia entre as cidades de Propriá (SE) 

e  Porto Real do Colégio (AL), 

pelos bancos de areia.
Veja a foto ao lado, me diga se este rio tem condiçóes de ceder alguma gota d'água para a transposição, se o projeto estivesse em vigor, de onde seriam retirados os volumes necessários ao atendimento da demanda de 12 milhões de pessoas no Setentrional? 

O rio São Francisco irá morrer, tudo isso será  uma catástrofe ambiental inigualável!!!

Se  ele hoje já está desse jeito aí, e cheio de imensas ilhas devido a assoreamento de suas encostas, como ficará após a transposição de suas águas? 

A irrigação de áreas a partir do rio São Francisco vinha dando excelentes resultados, criando terrenos férteis, de grande produtividade, onde antes só se via caatinga, 
mas hoje já se encontra muitas terras já com salinização latente e aí todos já sabem como vai terminar esta estória.

Mas tais iniciativas devem ser precedidas de estudos detalhados de solo e condições ecológicas, para que não se repitam aqui as situações desastrosas que ocorreram na Ásia e nos Estados Unidos.